terça-feira, 30 de setembro de 2014






Gramática!

Dizem que ela existe pra te ajudar
Dizem que ela existe pra te proteger
Eu sei que ela pode te assustar
Eu sei que ela pode te conter

Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!
Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!

Dizem pra você obedecê-la
Dizem pra você respeitá-la


Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!


Gramática, quem precisa? Concursandos, vestibulandos e quem mais?
Gramática quem não precisa respirar? Os mortais?



quinta-feira, 18 de setembro de 2014







Casos especiais de uso facultativo da vírgula 

Desde pequenos, ouvimos o professor nos alertando: Pessoal, não separamos o sujeito do verbo!.
Exemplo: João comprou pão. (certo). 
                 João, comprou pão. (errado).

Mas há casos em que podemos separar ou não o sujeito do seu verbo mediante o uso da vírgula. 

1) Sujeito muito extenso, formado por vários núcleos:

Exemplo: O professor Anastácio da Silveira que usa óculos de aro de metal e terno azul escuro, entregou as provas a seus alunos

Sujeito:  O professor Anastácio da Silveira que usa óculos de aro de metal e terno azul escuro...
Verbo: entregou...

Núcleos do sujeito:  professor Anastácio óculos terno...

Porém, na oração O professor Anastácio entregou as provas a seus alunos, não se admite a vírgula, pois o sujeito não é extenso, ou seja, há apenas um núcleo do sujeito que é professor.


2) Sujeitos diferentes. 

Na oração João comprou pão e Maria o acompanhou até a padaria, podemos usar ou não a vírgula depois de pão, antes da conjunção e, pois há sujeitos diferentes (João e Maria).

Exemplo: João comprou pão, e Maria o acompanhou até a padaria. (com vírgula opcional).

Duas orações, dois sujeitos diferentes, vírgula facultativa, opcional.



Sujeito e vocativo 

Por que na frase João, compre pão, ocorre a vírgula, mas na frase João compra pão não ocorre vírgula? Simples: porque o sentido das duas orações são diferentes entre si. Na primeira, João não é sujeito, mas sim vocativo, pois observe que há uma ordem dada a João, para que ele compre pão. Na segunda, João é o próprio sujeito que pratica a ação de comprar. 

Outro exemplo de distinção entre sujeito e vocativo:

Maria, faça silêncio! (Maria é vocativo, ou seja, alguém pede a ela que faça silêncio).
Maria faz silêncio. (Maria é sujeito que pratica a ação de ficar em silêncio).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014




                                           
Ouve-se por aí que a redação é o bicho-papão dos vestibulares e concursos. Se isso é verdade, então é prudente pôr em prática as orientações que lhes passarei a seguir para que esse bicho-papão seja vencido. Vamos a elas:

1) LEIA, LEIA E LEIA. Romances de sua preferência. Porém não adianta ler um Dostoiévski se você não consegue passar nem da primeira página porque não se identifica com o estilo de escrever do escritor ou mesmo com o enredo da história do livro. Indico os romances de Machado de Assis, os de Guimarães Rosa, pois eles são constantemente cobrados nas questões de língua portuguesa em concursos e vestibulares. Leia também jornais e revistas, pois uma hora e outra artigos destes dois periódicos são também utilizados em concursos e vestibulares.

2) ESCREVA. É imprescindível que você pegue uma papel e escreva tudo o que vier saindo de sua mente. Um turbilhão de palavras sairão de sua cabeça, desconexas, desordenadas, sem coerência, sem clareza. Mas o objetivo deste exercício não é construir frases ordenadas, coerentes e claras. Não. O objetivo é fazer com que você se livre do medo, da insegurança de iniciar a escrever a sua redação. Não se acanhe em escrever inclusive palavras indesejadas, porque deverá ser registrada cada uma delas que são jorradas de sua mente. Ao final, no instante que quiser finalizar este exercício, fique à vontade de, caso queira, descartar ou rasgar o papel. Ou, se preferir, você poderá guardá-lo em seu arquivo pessoal.

3) ESCREVA AGORA UMA REDAÇÃO PRA VALER. Mas uma redação atenta às normas gramaticais, prezando pela coerência, coesão, e, principalmente, pela clareza. Ou seja, use a linguagem culta. Escreva claro! Evite palavras de efeito, por exemplo: em vez de usar "O prestigitador tornou a sua genitora invisível", escreva "O mágico desapareceu com sua mãe". Lembre-se: escrever difícil é fácil. Escrever fácil pode ser difícil.

4) NÃO USE GÍRIAS em textos dissertativos, argumentativos, como "tipo", "véi", "da hora", a não ser em falas de personagens que devem ser registradas com aspas, itálico ou após travessões, e que são utilizadas mais em crônicas e romances.

5) SE FOR ESCREVER UMA CRÔNICA, IMAGINE UM ACONTECIMENTO DE SUA VIDA. Férias numa cidade de praia, numa fazenda; passeio ao zoológico, ao shopping; uma caminhada ou corrida no parque. A crônica narra vivências, fatos corriqueiros da nossa vida. Você deve pôr no papel cenários, descrever as pessoas (personagens), dar nomes a elas, como são elas (magras, altas, fortes, brancas, negras, ruivas, que tipos de roupas usam?), ou seja, detalhar suas características, pois o leitor precisa ler as características de cada elemento integrante da crônica para que ele possa montar todo o seu cenário.

6) AO INICIAR A REDAÇÃO, USE FRASES CURTAS para que o leitor possa melhor assimilar as ideias inicialmente apresentadas pelo autor. A essas frases iniciais, chamamos de tópico frasal que nada mais é do que o tema da redação.

7) NÃO FUJA DO TEMA PROPOSTO. Muitos candidatos começam bem uma redação, escrevem conforme as normas gramaticais, com excelente pontuação, concordância, mas tropeçam no tópico frasal. Por exemplo, se o tema proposto é "paz no trânsito", deixe bem claro logo no início que o tema que você irá desenvolver tratará de "trânsito". 

8) PRATIQUE CALIGRAFIA. Se achar que sua letra não seja suficientemente legível, que apenas você e seus familiares e amigo mais próximos conseguem entender ela, então pratique caligrafia. Isso mesmo! Compre um caderno de caligrafia e pratique todos os dias. As bancas examinadoras de provas de concursos e vestibulares, sem exceção, não perderão tempo em decifrar as palavras que elas julgarem ilegíveis no texto e, portanto, eliminarão a redação. Conheci pessoas que fizeram uma excelente redação, conteúdo e forma impecáveis, mas que pecaram por escrever palavras ilegíveis que prejudicaram a clareza do texto.

9) LEIA MANUAIS DE REDAÇÃO. Eles são práticos e usam uma linguagem mais simples de entender. Além deles, indico o livro considerado o "papa" do manual completo de redação: o "Comunicação em prosa moderna - aprenda a escrever aprendendo a pensar", de Othon Moacir Garcia.

10) PENSE! Pensar é planejar, é prever o que você escreverá. Pensando, você será capaz de concatenar as ideias, os cenários, os argumentos, antes de escrever a primeira palavra no papel. Pensando, você fará um texto com início, desenvolvimento e conclusão com coerência, coesão e clareza. Pensando, você ficará mais seguro de si mesmo, adquirindo a confiança necessária para elaborar uma boa redação.

Bons estudos e boa sorte!


quinta-feira, 11 de setembro de 2014




                                                            Concordância nominal:













OBRIGADO ou OBRIGADA?

Trata-se de adjetivo, equivalendo a AGRADECIDO(A), GRATO(A), e concordará com o nome ao qual se refere na frase.
Portanto, por analogia, teremos sempre:

Mulher agradecendo: obrigada! (Ou seja agradecida, grata por isso).
Homem agradecendo: obrigado! (ou seja, agradecido, grato por isso).

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ANEXO(A) ou EM ANEXO

São adjetivos e equivalem a  INCLUSO e concordará com o nome ao qual se refere na frase.

Exemplos:  1) Encaminho o documento anexo. 2) Encaminho a carta anexa.

"Em anexo" é invariável, isto é, nunca varia, nunca muda. Equivale a "...que segue em anexo).
Então, não existe o feminino "Em anexa(s)", nem o plural "Em anexos(as)".

Exemplos de uso correto: 1) Envio o(s) documento(s) em anexo 2) Envio a(s) carta(s) em anexo.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

É facultativo?



Então voltemos a falar sobre a parte mecânica de nossa estimada língua, a gramática normativa. Mais precisamente de empregos facultativos.

• Que expressão usar em:
Vou lhe entregar o documento “em mãos” ou “em mão”?
O uso é facultativo?

Resposta: Sim, é facultativo. Ou seja, opcional, podemos usar uma ou outra expressão sem trazer prejuízo semântico (significado) ao enunciado, pois a pessoa (destinatário) receberá o documento com uma mão ou duas mãos. Entretanto, há uma tendência de se dar preferência para o uso no singular “em mão”.

• Vou “até a praia” ou “até à praia”?

Facultativo. A expressão “até a” nos permite usar ou não a crase.
Ex.: Devo chegar na reunião até as / às 15 horas.

• Informei sobre a reunião “a sua assessora” ou “à sua assessora”?

É facultativo. Diante de pronomes possessivos femininos usaremos ou não a crase.

Outros exemplos: Informei “a minha / à minha aluna sobre as aulas.
Entrego-lhe o convite visando a / à nossa participação no evento.

• Solicitei o processo “a Maria” ou “à Maria”.

Também facultativo. Isto é, as duas formas estão corretas, pois diante de nomes próprios femininos, craseamos ou não o artigo “a”.

Aliás, estes são os três casos da crase (“até a” - pronomes de posse femininos – nomes próprios femininos) que são de uso facultativo.

Mas quando usar um ou outro, já que o emprego é opcional?

Tudo vai depender do estilo de escrever do autor do texto; de quem assinará o texto e, principalmente, do contexto em que se situa o texto. Também, daremos preferência ao uso de determinada expressão ao consideramos os termos utilizados antes e depois da expressão. Por exemplo:

Entrego ao senhor o convite com vistas a sua participação, pois a reunião, que ocorrerá amanhã às 15 horas, visa à melhoria do sistema recentemente implantado. Posteriormente, informarei do local deste evento ao senhor e a sua equipe.

Neste texto, além do estilo do seu autor e de quem o subscreverá, é imperante ainda que tenhamos cautela no demasiado uso da crase, já que é obrigatório seu emprego nos artigos “a” que ocorrem em “...às 15 horas” e em “...visa à melhoria”. Para melhor enxugamento deste texto, recomenda-se não usar a crase antes dos pronomes possessivos femininos em “...a sua participação” e “...a sua equipe”.

Quem faz a gramática somos nós falantes. Ela não nasce do acaso. E não existiria sem nossa existência. Parece ser óbvia esta constatação, mas é preciso fazê-la presente em nossa lembrança dia a dia. A gramática pouca anda, fica estagnada no tempo como poça d’água. Ao contrário, a língua anda (e às vezes muito rápido) e, nas palavras do professor linguista Marcos Bagno, flui como rio para bem movimentar poças d’água.

E, quando expressivo grupo de falantes do idioma tupiniquim consagra o uso de determinadas expressões de sua língua no meio social, estas podem ser incorporadas naturalmente na gramática normativa, a exemplo das expressões de uso facultativo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O atropelado






Tarde de domingo sem sol. A rua estava cheia de gente. Dona Firmina viu tudo.
- O caminhão... – Ainda soluçava – o caminhão veio na contramão e, ai meu deus, deu nisso aí - Abaixou a cabeça escondendo o rosto triste com as duas mãos.
O choque fora violenta, é verdade. Mas a senhora Firmina, dona do salão de beleza Pente Mágico, sempre se empolgava a mais diante desse tipo de acontecimento. Fazia careta de criança, uma hora e outra dava uns pulinhos e gritava “cruz credo!” a cada instante. A coisa piorou quando o senhor Portuga, farmacêutico da cidade e colega de conversa fiada da cabeleireira histérica, deixou o seu recinto de trabalho e se meteu no meio de toda aquela gente curiosa. Tagarelou:
- Que se vê? Que se vê? – Nervoso, coçava o bigode alongado – Oh, Santa Edwiges! Pois não é que o estrago foi graúdo! Ele era tão novo, tão novinho. Destino ingrato este do coitado do Dr. Gervásio Pires, tinha-o como quem guarda um tesouro.
- Novinho e bonitão! – emendou uma senhora magrela de cabelos pintados de ruivo.
Dona Firmina conteve a emoção. Franziu a testa. Inventou uma tosse breve. Tudo tinha limite. A proprietária do único salão de beleza da cidadezinha não poderia agir daquele modo. A voz lhe pareceu mais delicada.
- Seu Portuga, o Dr. Gervásio Pires sofre de coração, se isso bate no ouvido dele...morre de uma vez!
- E como se deu a tragédia? – Os olhos pregados no atropelado.
- Ele estava parado aí, quietinho, na calçada. Então apareceu o caminhão correndo feito maluco e fez essa besteira. A família não vai se conformar.
- E o autor desse estrago, cadê?
- Deve de ter fugido – Lamentou Dona Firmina.
Um engraxate (tinha lá seus doze anos de idade), sentado no meio-fio, cuspiu no chão e disse:
- O homem não teve culpa não. Eu vi, juro.
O farmacêutico explodiu:
- Cala-te a boca, moleque! Tu não sabes o que falas. Lugar de pirralho é na escola, ora pois.

Ali estava o cenário com cheiro de óleo queimado. O caminhão meio amassado. O atropelado sob os olhares curiosos. Depois de alguns minutos é que o carro da polícia chegou. Pronto. Acabara-se a festa.
- Sai todo mundo! Vamos! – Berrava, eufórico, o soldado grandalhão demonstrando habilidade no manuseio de seu cassetete.
A mulher de cabelos ruivos foi quem primeiro deixou o local do acidente. Pouco a pouco, as pessoas iam se dispersando. Dona Firmina e seu Portuga saíram, cabisbaixos, para tratar de seus negócios.
O policial puxou a antena do radiotransmissor e berrou novamente:
- Positivo! Manda o reboque maior. Quê? O atropelado? – Esticou uma gargalhada – O atropelado é um automóvel. Uma Mercedes de luxo. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013



Prezad@s,

As abreviaturas “At.te” e “Atte”  de “Atenciosamente”, embora gramaticalmente corretas, vêm sendo pouquíssima empregadas por nós usuários da língua portuguesa. Para a gramática normativa, as abreviaturas “At.te” e “Atte” não se acham ainda em vias de consagração de uso, ou seja, a maioria dos falantes ainda não assimilaram estas abreviaturas, mas sim “at” e/ou “att” que também são corretas para uso em texto eletrônicos (e-mails). Alguns manuais de redação recomendam usar o fechamento por extenso “Atenciosamente” por considerarem mais cortês, elegante, respeitoso com o destinatário.

 Meu entendimento, como professor de língua portuguesa, é que podemos dar preferência pelo uso de “at” ou “att” no lugar de “at.te” ou “atte”, pois, ao contrário, o receptor da mensagem eletrônica (e-mail) poderá estranhar as abreviaturas “at.te” ou “atte”, causando-lhe confusão semântica (significado), uma vez que  ele está há muito tempo habituado a receber e ler “at” ou “att” e as interpretará como sendo abreviaturas de “Atenciosamente”.

 A preferência pelo uso de “at” ou “att” garantirá o principal  elemento a ser almejado num texto: a clareza.

 Espero ter contribuído.

 Att
ou
At,

 Ricardo D. Lins Freitas
www.textorevisado.com.br
(61) 8124-6177