quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Assim caminha a língua escrita e falada da criança



"O serviço mais útil que os lingüistas podem prestar hoje é varrer a ilusão da ‘deficiência verbal’ e oferecer uma noção mais adequada das relações entre dialetos-padrão e não- padrão” (William Labov).
Caminha, e bem. Língua é coisa de uso, e não de regra. Exemplifico: na frase “Nós pode ir ao cinema”, entendemos que se trata de mais de uma pessoa que pode ir ao cinema, pela simples utilização do pronome “Nós”. Portanto, não haveria necessidade de flexionarmos o verbo para “podemos”, o que resultaria, sob o argumento de alguns, numa total ambiguidade. Este é um raciocínio que provém do uso da língua por determinado grupo de falantes. Trata-se de uma variação linguística estigmatizada, ou seja, vista com maus olhos pela norma culta imposta pela gramática e, por conseguinte, recusada também pela escola e sociedade.
Uma coisa é a escrita; outra é a fala. Quando crianças, balbuciávamos “papá”, “mamã”, na tentativa de chamar por “papai” e “mamãe”. Das fases de criança evoluímos para adolescentes e, nesse passar de anos, evoluímos nosso modo de pronunciar e escrever as palavras. Crescemos convivendo ao lado de nossos pais, irmãos, familiares, colegas de escola, com os ouvidos em pé, alerta a tudo.
Mas eis que a professora se depara com a entrega de uma redação de aluno de nove anos de idade. E arregala os olhos ao ler:
“João tava cum sedi então o pai de João deu água pru João”. O caro leitor compreende o significado da frase? Quero lhes afirmar que se há comunicação neste enunciado, isto é, se o autor da frase consegue ser entendido pelos leitores, é porque há clareza, ainda que os termos da frase fujam da norma culta gramatical. Que fazer o professor numa situação dessa?
O professor, como educador acima de tudo, deve chamar o aluno, parabenizá-lo pela bela redação por ter sido criativo. Confessar-lhe que entendeu o que escreveu, mas que existe outra forma de escrever a mesma frase:
“João estava com sede, então o seu pai lhe deu água”.
E lhe dizer, com naturalidade, que esta outra forma é que é a aceita e muito mais empregada por todos, pelas escolas, pela sociedade. Nunca discriminá-lo, jamais tascar a caneta em sua redação para registrar qualquer tipo de reprovação como os inapropriados “Péssimo”, “Errado”, “Estudar mais!”. Essa atitude não educa a criança, mas deseduca, derruba a autoestima do aluno que, por natureza, faz uso de sua gramática internalizada. É preciso apenas podar, lapidar esta sua mais preciosa virtude: a criatividade.
Lembro-me de escrever a palavra “dezenho” assim mesmo com “z” repetidas vezes até a quarta-série do primeiro grau. A professora escrevia do lado “desenho” corrigindo-me apropriadamente. No outro dia, lá estava de novo a bendita ou maldita palavrinha. E tome “dezenho” com “z”! Isso aconteceu porque o “s” da palavra “desenho” tem o mesmo som de “z” da palavra “zebra” por exemplo. Demorou até que eu compreendesse e assimilasse finalmente “desenho” com “s” como preza a sua ortografia convencional. Isso continua acontecendo nas escolas. Não se trata de nenhum mal da linguagem e que, portanto, deva ser repudiado e punido. Trata-se de mais uma fase do processo de evolução da fala e escrita da criança. Assim como, nos primeiros anos, ela tem aquela sua fase de andar meio que insegura, tateando as paredes e móveis de casa, até adquirir total confiança e coordenação motora.
Se minha filha de 8 anos de idade me pergunta:
“Pai, se eu fazer o dever primeiro eu posso ver televisão?”
Ao entender o que ela quis dizer, embora tenha usado o “fazer” de modo agramatical, eu lhe respondo com um:
“Olhe, se você fizer o dever, pode ver televisão” E Se eu fizer o dever com você para ajudar nas suas dúvidas, vai ser mais interessante.”
Então, todas as vezes que ela usar o “fazer” nesse tipo de construção, imediatamente eu lhe responderei com o “fizer”. Aos poucos, a criança vai absorvendo o significado da expressão verbal nesse contexto.
Em seu livro “E as crianças eram difíceis – A redação na escola”, a autora Eglê Franchi narra sua experiência como professora de 1º grau numa escola de periferia. Eglê aponta a necessidade de considerar a fala e escrita de cada criança, respeitando as variações de frases, e, principalmente, mostrando a elas as diferentes possibilidades de se expressar tanto no ambiente popular (variante estigmatizada) quanto no ambiente em que a norma culta deva prevalecer (variante de prestígio).
É formidável e confortante saber que crianças desde cedo já sabem construir frases. Pasmem!: já sabem sintaxe, porque nascem com a sintaxe em seu consciente. Quando elas dizem:
"Mãe, eu quero ouvir a historinha do Peter Pan."
Ela sem se dar por conta e, principalmente (isto é muito importante), sem nunca ter visto a gramática, senão a sua gramática internalizada, solta a frase com os termos na ordem direta (vocativo+sujeito+verbo+objeto+complemento). Vejam:
Mãe: vocativo
...eu: sujeito
...quero ouvir: verbo (locução verbal) transitivo direto
...a historinha: objeto direto
...do Peter Pan: complemento nominal
Muitos dirão que ela assim constrói a frase porque simplesmente ouve os adultos falando todos os dias. Eu direi que têm absoluta razão. Ao observarmos o vocabulário das crianças, concluímos que este se identifica com o vocabulário das pessoas que as rodeiam. Há tendência de os pais modificarem a linguagem durante a comunicação com as crianças. Eles exageram na inflexão vocal e usam frases mais simples, que é para tornar a fala mais agradável a elas. A essa fala adulta dirigida às crianças damos o nome de motherese. Esse estilo de fala, a motherese, não é utilizado exclusivamente pela mãe, mas também por pessoas que cumprem a função materna, que podem ser a mãe real ou mesmo outra pessoa que cuida da criança.
É preciso aprender a ter paciência com estes pequenos. Dar tempo para eles, pois, como afirma Stenberg, "as crianças adquirem a linguagem formando mentalmente hipóteses experimentais quanto à mesma, baseadas em sua facilidade hereditária para a sua aquisição (natureza), e depois testando essas hipóteses no ambiente (educação)."
Sabedor de que o estudo da fala e escrita da criança é de profundidade oceânica, proponho ao leitor consultar a bibliografia que registro ao final deste artigo. São especialistas, cientistas da área que muito contribuem para amadurecimento do assunto em questão, desde Vygotsky até Eglê Franchi. A todos os desbravadores uma proveitosa leitura.
Enfim, quero lhes dizer que as crianças estão bem acima da gramática, pois esta só tem existência em razão da existência daquelas. É a partir da criatividade, do dialeto peculiar de cada uma das crianças que a gramática se encorpa, toma vida, e, com o passar dos tempos e pela necessidade natural dos falantes, terá de ajustar gradativamente as suas regras.
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Bibliografia:
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália – novela sociolingüística. São Paulo: Contexto, 1999.
PINKER, Steven. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
FRANCHI, Eglê.– E as crianças eram difíceis - A redação na escola. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SCHÜTZ, Ricardo. Vygotsky & language acquisition. Disponível em: SOUZA, Solange Jobim e. Infância e Linguagem: Baktin, Vygotsky e Benjamin. 6. ed. São Paulo: Papirus, 2001.
STENBERG, Robert J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Série Psicologia e Pedagogia.

quarta-feira, 13 de julho de 2016


LOGO, LOGOMARCA ou LOGOTIPO ?


"logo" é um termo grego e significa "significado".

"logotipo" é o tipo de letra. Exemplos: logotipos da Coca-Cola, da CAIXA, da TAM utilizados em suas publicidades.

"logomarca" é o desenho, imagem, figura do significado. Exemplos: a maçã da Apple, o casal de pinguins da Antártica.

O fato de um termo, palavra, expressão, ter origem estrangeira não significa dizer que devemos preservar sua estrutura gráfica original. Somos falantes competentes da língua portuguesa falada no Brasil. Portanto, adaptamos naturalmente ao nosso idioma os empréstimos linguísticos, estrangeirismos e os internalizamos com o passar dos tempos. Os empregos de alguns termos já estão consagrados; outros, ainda em vias de consagração. O termo"logomarca" me parece já consagrado e internalizado na nossa fala e escrita.

O Dicionário Houaiss conceitua "logomarca" e "logotipo" assim:

"logomarca - s.f. (sXX) pub 1 conjunto formado pela representação gráfica do nome de determinada marca, em letras de traçado específico, fixo e característico (logotipo) e seu símbolo visual (figurativo ou emblemático) 2 p.ext. representação visual de qualquer marca ¤ etim log(o)- + marca."

"logotipo - s.m. (a1958) 1 gráf grupo de letras reunidas numa só peça, empr. em tipografia, com o objetivo de acelerar o trabalho de composição manual [Este recurso tipográfico foi inventado no sXVIII em substituição aos caracteres móveis individuais e, posteriormente, aplicou-se de preferência à composição de siglas e marcas comerciais ou de fabricação, de traçado característico facilmente reconhecível.] 2 p.ext. pub símbolo que serve à identificação de uma empresa, instituição, produto, marca etc., e que consiste ger. na estilização de uma letra ou na combinação de grupo de letras com design característico, fixo e peculiar F f. geral pref. e menos us.: logótipo ¤ etim log(o)- + -tipo ou –tipo."


E o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) registra as expressões "logomarca" e "logotipo" como corretamente usuais.






segunda-feira, 11 de julho de 2016





Convido Vossas Senhorias para participar do evento
ou
para participarem do evento?

Resposta: o uso é facultativo, ou seja, tanto podemos manter o verbo infinitivo no singular (participar) como também no plural (participarem).

Justificativa: a preposição (para) que antecede o verbo (participar) permite o uso deste no singular ou no plural.

Outros exemplos:

Convido-os para estas reuniões a ocorrer / ocorrerem amanhã (preposição "a").

Peço aos senhores para permanecer / permanecerem na sala.

Atenção: para usufruirmos deste uso facultativo, é necessário que o verbo seja imediatamente precedido de preposição. Portanto, não havendo a preposição, a concordância do verbo dar-se-á naturalmente com o termo nominal.

Exemplo:

Convido Vossas Senhorias para que participem do evento.
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terça-feira, 19 de maio de 2015

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO




            Em vigor desde 2009, o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado entre o Brasil e os países de língua portuguesa, terá duração até o ano 2016. Então agora continuamos a escrever opcionalmente, ou seja, usando a antiga regra ortográfica ou a nova ortografia até o dia 1º de janeiro de 2016. A partir desta data, só será aceita oficialmente a nova regra.
           
            O novo acordo representa apenas 0,5 de mudanças na ortografia da nossa língua portuguesa, isto é, duas mil palavras sofreram alterações. Em Portugal, "óptimo" e "acção", por exemplo, passaram a ser escritos iguais por aqui no Brasil ("ótimo" e "ação").

            Esta é a terceira alteração na nossa língua. A primeira ocorreu em 1943 e a segunda em 1971. Isto só comprova que a língua é dinâmica, sujeita a mudanças com o passar dos anos e com o surgimento de novas gerações de falantes e escritores.

            Sugiro acessar o link: http://revistaescola.abril.com.br/img/lingua-portuguesa/palavras-novo-acordo.pdf. Nele há uma tabela de palavras de uso frequentes que sofreram alterações pelo novo acordo ortográfico. 
            Boa leitura.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Pronúncias: Houaiss, Montagne, designo.



Houaiss: fala-se "uáis" (o nome do autor do famoso dicionário Antônio Houaiss). EStratégfia para lembrar: associar com a interjeição " Portanto, não se pronuncia o "H" como "R", ao contrário de "House" ("Rause") que significa casa.

Montagne: "Montanhê" (nome de origem francesa), como na palavra "dendê".

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Eu designo ele para o cargo (pronuncia-se marcando a sílaba tônica/forte para "sig", ou seja, "desíguino"). Errado, portanto, falar "desiguino" com a tonicidade em "gui". Assim também ocorre em palavras com esta mesma estrutura de formação: por exemplo, indigno ("indíguino" e não "indiguino").



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015




                                                                      NOTA ZERO

     “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”


         O Ministério da Educação divulgou na última terça-feira (13) o balanço final da edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio, vulgo ENEM. Segundo a pasta, prestaram o exame 6.193.565 candidatos dos quais 529.374 obtiveram nota zero na redação da prova (8,5% dos candidatos). Resultado lastimável. Preocupante para alunos, professores, pais, governo, sociedade civil. Diante deste cenário, emerge uma pergunta: o que fazer para inverter este quadro?

         Penso ser possível apresentar urgentemente uma proposta de modificação do projeto de ensino nas escolas, sejam elas públicas ou particulares. Uma proposta de incrementar os mecanismos de incentivo à leitura. Mais que isso: culturalizar a comunidade de alunos a gostar de ler, a sentir prazer em ler um romance, um conto, uma crônica, uma revista, um jornal. Se o aluno do ensino médio não tiver as ferramentas imprescindíveis para fortalecer seu processo de aprendizagem, quais sejam o governo, seus pais e a escola, encontrará sérias dificuldades nos exames de admissão para concursos e vestibulares, em especial na prova de língua portuguesa e redação.

         Fato que perdura há anos no Brasil: a criança entra no maternal, é alfabetizada. Os obstáculos começam no ensino fundamental. Professores que não tiveram embasamento suficiente em suas áreas de formação nas universidades públicas ou particulares em que cursaram; paralisações das atividades (greves) dos professores, em escolas públicas, que reivindicam reajuste salarial, contratação de novos professores etc.

         O governo estimula a escola, remunerando bem os professores, alocando recursos materiais para a escola. O professor bem remunerado estimula o aluno a ler e ainda cria mecanismos para tanto. O aluno com o estímulo do professor e, principalmente, de seus pais, será incentivado a criar gosto natural pela leitura, desenvolverá o papel de pesquisador, de estudante. Agindo assim, seu cérebro será estimulado a se habituar com essa rotina de atividades. Se este fluxo socioeducativo, governo-professor-pais-alunos, for colocado em prática em nosso cotidiano, estaremos com a faca e o queijo na mão.
        
        

        



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015










          Dia desses, fui mordido pela minha cachorra de estimação porque acidentalmente pisei em seu rabo.
Não sei por que cargas d'água passou pela minha cabeça em usar acetona para a mordida. Mas, no afã da minha razão, usei corretamente água oxigenada no dedão mordido de meu pé. 
          No outro dia, cheguei ao meu trabalho e relatei o caso da mordida a uma colega minha. Ela riu demasiadamente. Pudera. Passados alguns minutos, ela consultou-me se um recorte autoadesivo que havia feito em forma de seta não estaria grande demais. Falei a ela que sim, que diminuísse o corte para substituir aquela setona. Ela fez isso. Minutos à frente, ao tomarmos cafezinho, esta mesma colega me disparou sorrindo: "Ricardo, e a setona?" Respondi a ela retribuindo com um sorriso tomado de gargalhada: "Ah, a acetona! Já pensou se eu usasse acetona em vez da água oxigenada!? Que desastre seria!". Ela explodiu em gargalhada: "Ricardo, eu me refiro à seta grande que recortei: a setona...kkkkkk! E compartilhamos gostosamente este episódio hilário. 
          Culpa da diversidade de significados de nossa língua portuguesa falada no Brasil. Ainda bem.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014




Quero lhes indicar uma excelente gramática para estudantes do ensino médio e aos que direcionam seus estudos para concursos públicos:

Gramática Escolar da Língua Portuguesa, 2ª edição, editora Nova Fronteira, de autoria do renomado Evanildo Bechara.

Bons estudos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014




Em nome de todos os brasileiros, em especial dos poetas brasileiros, me solidarizo com os sentimentos de pêsames pela perda que sofremos no dia 13 de novembro de 2014:o poeta brasileiro Manoel de Barros abotoou os botões, alçando voou à eternidade. 
Certa vez, num instante seu de boa reflexão, matutou: 

“Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia”.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014




                                                              Bom dia a um estranho

                Os homens, somos por natureza introvertidos, em menor ou maior grau. Ser introvertido não é de todo nocivo para a alma, ao contrário, faz-nos mais pensadores, aguça nosso senso crítico e nos aquietamos a falar apenas o necessário para não se correr o risco de engolir mosquito, porquanto “boca fechada não entra mosquito”. Mas não é de todo custoso libertar-se dessa introversão para retribuir ao estranho que, inesperadamente, o saudou com um bom-dia.
               O fato é que o bom-dia da pessoa desconhecida, estranha portanto, nos causa estranheza. Como se houvesse algo de errado ou inverídico em sua saudação, como se houvesse algo suspeito no ar, alguma intenção de querer buscar algo de nós como, por exemplo, subtrair um bem material nosso. Lamentável e equivocada a suspeição. Dar bom-dia a um estranho ou retribuir-lhe o seu bom-dia é atitude humana, ética. É de todo salutar.
                Se dentro do elevador sequer uma pessoa não retribui o bom-dia de quem nele acaba de entrar, é porque falta confiança, amor ao próximo, mas não se pode admitir que não houve a saudação recíproca apenas porque as pessoas são introvertidas, ou porque guardam em seus corações uma tristeza profunda a ponto de ignorar qualquer saudação, inclusive o bom-dia do estranho, do desconhecido.
         Urge que reavaliemos o caso. Saudar o desconhecido é instaurar, inconscientemente, uma relação de proximidade com o ser humano, transformando, desse modo, o estranho em um conhecido. Desta natural aproximação para o começo de uma nova amizade é um pulo.

terça-feira, 30 de setembro de 2014






Gramática!

Dizem que ela existe pra te ajudar
Dizem que ela existe pra te proteger
Eu sei que ela pode te assustar
Eu sei que ela pode te conter

Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!
Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!

Dizem pra você obedecê-la
Dizem pra você respeitá-la


Gramática! Para quem precisa!
Gramática! Para quem precisa de Gramática!


Gramática, quem precisa? Concursandos, vestibulandos e quem mais?
Gramática quem não precisa respirar? Os mortais?



quinta-feira, 18 de setembro de 2014







Casos especiais de uso facultativo da vírgula 

Desde pequenos, ouvimos o professor nos alertando: Pessoal, não separamos o sujeito do verbo!.
Exemplo: João comprou pão. (certo). 
                 João, comprou pão. (errado).

Mas há casos em que podemos separar ou não o sujeito do seu verbo mediante o uso da vírgula. 

1) Sujeito muito extenso, formado por vários núcleos:

Exemplo: O professor Anastácio da Silveira que usa óculos de aro de metal e terno azul escuro, entregou as provas a seus alunos. 

Sujeito:  O professor Anastácio da Silveira que usa óculos de aro de metal e terno azul escuro...
Verbo: entregou...

Núcleos do sujeito:  professor Anastácio óculos terno...

Porém, na oração O professor Anastácio entregou as provas a seus alunos, não se admite a vírgula, pois o sujeito não é extenso, ou seja, há apenas um núcleo do sujeito que é professor.


2) Sujeitos diferentes. 

Na oração João comprou pão e Maria o acompanhou até a padaria, podemos usar ou não a vírgula depois de pão, antes da conjunção e, pois há sujeitos diferentes (João e Maria).

Exemplo: João comprou pão, e Maria o acompanhou até a padaria. (com vírgula opcional).

Duas orações, dois sujeitos diferentes, vírgula facultativa, opcional.



Sujeito e vocativo 

Por que na frase João, compre pão, ocorre a vírgula, mas na frase João compra pão não ocorre vírgula? Simples: porque o sentido das duas orações são diferentes entre si. Na primeira, João não é sujeito, mas sim vocativo, pois observe que há uma ordem dada a João, para que ele compre pão. Na segunda, João é o próprio sujeito que pratica a ação de comprar. 

Outro exemplo de distinção entre sujeito e vocativo:

Maria, faça silêncio! (Maria é vocativo, ou seja, alguém pede a ela que faça silêncio).
Maria faz silêncio. (Maria é sujeito que pratica a ação de ficar em silêncio).

sexta-feira, 12 de setembro de 2014




                                           
Ouve-se por aí que a redação é o bicho-papão dos vestibulares e concursos. Se isso é verdade, então é prudente pôr em prática as orientações que lhes passarei a seguir para que esse bicho-papão seja vencido. Vamos a elas:

1) LEIA, LEIA E LEIA. Romances de sua preferência. Porém não adianta ler um Dostoiévski se você não consegue passar nem da primeira página porque não se identifica com o estilo de escrever do escritor ou mesmo com o enredo da história do livro. Indico os romances de Machado de Assis, os de Guimarães Rosa, pois eles são constantemente cobrados nas questões de língua portuguesa em concursos e vestibulares. Leia também jornais e revistas, pois uma hora e outra artigos destes dois periódicos são também utilizados em concursos e vestibulares.

2) ESCREVA. É imprescindível que você pegue uma papel e escreva tudo o que vier saindo de sua mente. Um turbilhão de palavras sairão de sua cabeça, desconexas, desordenadas, sem coerência, sem clareza. Mas o objetivo deste exercício não é construir frases ordenadas, coerentes e claras. Não. O objetivo é fazer com que você se livre do medo, da insegurança de iniciar a escrever a sua redação. Não se acanhe em escrever inclusive palavras indesejadas, porque deverá ser registrada cada uma delas que são jorradas de sua mente. Ao final, no instante que quiser finalizar este exercício, fique à vontade de, caso queira, descartar ou rasgar o papel. Ou, se preferir, você poderá guardá-lo em seu arquivo pessoal.

3) ESCREVA AGORA UMA REDAÇÃO PRA VALER. Mas uma redação atenta às normas gramaticais, prezando pela coerência, coesão, e, principalmente, pela clareza. Ou seja, use a linguagem culta. Escreva claro! Evite palavras de efeito, por exemplo: em vez de usar "O prestigitador tornou a sua genitora invisível", escreva "O mágico desapareceu com sua mãe". Lembre-se: escrever difícil é fácil. Escrever fácil pode ser difícil.

4) NÃO USE GÍRIAS em textos dissertativos, argumentativos, como "tipo", "véi", "da hora", a não ser em falas de personagens que devem ser registradas com aspas, itálico ou após travessões, e que são utilizadas mais em crônicas e romances.

5) SE FOR ESCREVER UMA CRÔNICA, IMAGINE UM ACONTECIMENTO DE SUA VIDA. Férias numa cidade de praia, numa fazenda; passeio ao zoológico, ao shopping; uma caminhada ou corrida no parque. A crônica narra vivências, fatos corriqueiros da nossa vida. Você deve pôr no papel cenários, descrever as pessoas (personagens), dar nomes a elas, como são elas (magras, altas, fortes, brancas, negras, ruivas, que tipos de roupas usam?), ou seja, detalhar suas características, pois o leitor precisa ler as características de cada elemento integrante da crônica para que ele possa montar todo o seu cenário.

6) AO INICIAR A REDAÇÃO, USE FRASES CURTAS para que o leitor possa melhor assimilar as ideias inicialmente apresentadas pelo autor. A essas frases iniciais, chamamos de tópico frasal que nada mais é do que o tema da redação.

7) NÃO FUJA DO TEMA PROPOSTO. Muitos candidatos começam bem uma redação, escrevem conforme as normas gramaticais, com excelente pontuação, concordância, mas tropeçam no tópico frasal. Por exemplo, se o tema proposto é "paz no trânsito", deixe bem claro logo no início que o tema que você irá desenvolver tratará de "trânsito". 

8) PRATIQUE CALIGRAFIA. Se achar que sua letra não seja suficientemente legível, que apenas você e seus familiares e amigo mais próximos conseguem entender ela, então pratique caligrafia. Isso mesmo! Compre um caderno de caligrafia e pratique todos os dias. As bancas examinadoras de provas de concursos e vestibulares, sem exceção, não perderão tempo em decifrar as palavras que elas julgarem ilegíveis no texto e, portanto, eliminarão a redação. Conheci pessoas que fizeram uma excelente redação, conteúdo e forma impecáveis, mas que pecaram por escrever palavras ilegíveis que prejudicaram a clareza do texto.

9) LEIA MANUAIS DE REDAÇÃO. Eles são práticos e usam uma linguagem mais simples de entender. Além deles, indico o livro considerado o "papa" do manual completo de redação: o "Comunicação em prosa moderna - aprenda a escrever aprendendo a pensar", de Othon Moacir Garcia.

10) PENSE! Pensar é planejar, é prever o que você escreverá. Pensando, você será capaz de concatenar as ideias, os cenários, os argumentos, antes de escrever a primeira palavra no papel. Pensando, você fará um texto com início, desenvolvimento e conclusão com coerência, coesão e clareza. Pensando, você ficará mais seguro de si mesmo, adquirindo a confiança necessária para elaborar uma boa redação.

Bons estudos e boa sorte!


quinta-feira, 11 de setembro de 2014




                                                            Concordância nominal:













OBRIGADO ou OBRIGADA?

Trata-se de adjetivo, equivalendo a AGRADECIDO(A), GRATO(A), e concordará com o nome ao qual se refere na frase.
Portanto, por analogia, teremos sempre:

Mulher agradecendo: obrigada! (Ou seja agradecida, grata por isso).
Homem agradecendo: obrigado! (ou seja, agradecido, grato por isso).

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ANEXO(A) ou EM ANEXO

São adjetivos e equivalem a  INCLUSO e concordará com o nome ao qual se refere na frase.

Exemplos:  1) Encaminho o documento anexo. 2) Encaminho a carta anexa.

"Em anexo" é invariável, isto é, nunca varia, nunca muda. Equivale a "...que segue em anexo).
Então, não existe o feminino "Em anexa(s)", nem o plural "Em anexos(as)".

Exemplos de uso correto: 1) Envio o(s) documento(s) em anexo 2) Envio a(s) carta(s) em anexo.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

É facultativo?



Então voltemos a falar sobre a parte mecânica de nossa estimada língua, a gramática normativa. Mais precisamente de empregos facultativos.

• Que expressão usar em:
Vou lhe entregar o documento “em mãos” ou “em mão”?
O uso é facultativo?

Resposta: Sim, é facultativo. Ou seja, opcional, podemos usar uma ou outra expressão sem trazer prejuízo semântico (significado) ao enunciado, pois a pessoa (destinatário) receberá o documento com uma mão ou duas mãos. Entretanto, há uma tendência de se dar preferência para o uso no singular “em mão”.

• Vou “até a praia” ou “até à praia”?

Facultativo. A expressão “até a” nos permite usar ou não a crase.
Ex.: Devo chegar na reunião até as / às 15 horas.

• Informei sobre a reunião “a sua assessora” ou “à sua assessora”?

É facultativo. Diante de pronomes possessivos femininos usaremos ou não a crase.

Outros exemplos: Informei “a minha / à minha aluna sobre as aulas.
Entrego-lhe o convite visando a / à nossa participação no evento.

• Solicitei o processo “a Maria” ou “à Maria”.

Também facultativo. Isto é, as duas formas estão corretas, pois diante de nomes próprios femininos, craseamos ou não o artigo “a”.

Aliás, estes são os três casos da crase (“até a” - pronomes de posse femininos – nomes próprios femininos) que são de uso facultativo.

Mas quando usar um ou outro, já que o emprego é opcional?

Tudo vai depender do estilo de escrever do autor do texto; de quem assinará o texto e, principalmente, do contexto em que se situa o texto. Também, daremos preferência ao uso de determinada expressão ao consideramos os termos utilizados antes e depois da expressão. Por exemplo:

Entrego ao senhor o convite com vistas a sua participação, pois a reunião, que ocorrerá amanhã às 15 horas, visa à melhoria do sistema recentemente implantado. Posteriormente, informarei do local deste evento ao senhor e a sua equipe.

Neste texto, além do estilo do seu autor e de quem o subscreverá, é imperante ainda que tenhamos cautela no demasiado uso da crase, já que é obrigatório seu emprego nos artigos “a” que ocorrem em “...às 15 horas” e em “...visa à melhoria”. Para melhor enxugamento deste texto, recomenda-se não usar a crase antes dos pronomes possessivos femininos em “...a sua participação” e “...a sua equipe”.

Quem faz a gramática somos nós falantes. Ela não nasce do acaso. E não existiria sem nossa existência. Parece ser óbvia esta constatação, mas é preciso fazê-la presente em nossa lembrança dia a dia. A gramática pouca anda, fica estagnada no tempo como poça d’água. Ao contrário, a língua anda (e às vezes muito rápido) e, nas palavras do professor linguista Marcos Bagno, flui como rio para bem movimentar poças d’água.

E, quando expressivo grupo de falantes do idioma tupiniquim consagra o uso de determinadas expressões de sua língua no meio social, estas podem ser incorporadas naturalmente na gramática normativa, a exemplo das expressões de uso facultativo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O atropelado






Tarde de domingo sem sol. A rua estava cheia de gente. Dona Firmina viu tudo.
- O caminhão... – Ainda soluçava – o caminhão veio na contramão e, ai meu deus, deu nisso aí - Abaixou a cabeça escondendo o rosto triste com as duas mãos.
O choque fora violenta, é verdade. Mas a senhora Firmina, dona do salão de beleza Pente Mágico, sempre se empolgava a mais diante desse tipo de acontecimento. Fazia careta de criança, uma hora e outra dava uns pulinhos e gritava “cruz credo!” a cada instante. A coisa piorou quando o senhor Portuga, farmacêutico da cidade e colega de conversa fiada da cabeleireira histérica, deixou o seu recinto de trabalho e se meteu no meio de toda aquela gente curiosa. Tagarelou:
- Que se vê? Que se vê? – Nervoso, coçava o bigode alongado – Oh, Santa Edwiges! Pois não é que o estrago foi graúdo! Ele era tão novo, tão novinho. Destino ingrato este do coitado do Dr. Gervásio Pires, tinha-o como quem guarda um tesouro.
- Novinho e bonitão! – emendou uma senhora magrela de cabelos pintados de ruivo.
Dona Firmina conteve a emoção. Franziu a testa. Inventou uma tosse breve. Tudo tinha limite. A proprietária do único salão de beleza da cidadezinha não poderia agir daquele modo. A voz lhe pareceu mais delicada.
- Seu Portuga, o Dr. Gervásio Pires sofre de coração, se isso bate no ouvido dele...morre de uma vez!
- E como se deu a tragédia? – Os olhos pregados no atropelado.
- Ele estava parado aí, quietinho, na calçada. Então apareceu o caminhão correndo feito maluco e fez essa besteira. A família não vai se conformar.
- E o autor desse estrago, cadê?
- Deve de ter fugido – Lamentou Dona Firmina.
Um engraxate (tinha lá seus doze anos de idade), sentado no meio-fio, cuspiu no chão e disse:
- O homem não teve culpa não. Eu vi, juro.
O farmacêutico explodiu:
- Cala-te a boca, moleque! Tu não sabes o que falas. Lugar de pirralho é na escola, ora pois.

Ali estava o cenário com cheiro de óleo queimado. O caminhão meio amassado. O atropelado sob os olhares curiosos. Depois de alguns minutos é que o carro da polícia chegou. Pronto. Acabara-se a festa.
- Sai todo mundo! Vamos! – Berrava, eufórico, o soldado grandalhão demonstrando habilidade no manuseio de seu cassetete.
A mulher de cabelos ruivos foi quem primeiro deixou o local do acidente. Pouco a pouco, as pessoas iam se dispersando. Dona Firmina e seu Portuga saíram, cabisbaixos, para tratar de seus negócios.
O policial puxou a antena do radiotransmissor e berrou novamente:
- Positivo! Manda o reboque maior. Quê? O atropelado? – Esticou uma gargalhada – O atropelado é um automóvel. Uma Mercedes de luxo. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013



Prezad@s,

As abreviaturas “At.te” e “Atte”  de “Atenciosamente”, embora gramaticalmente corretas, vêm sendo pouquíssima empregadas por nós usuários da língua portuguesa. Para a gramática normativa, as abreviaturas “At.te” e “Atte” não se acham ainda em vias de consagração de uso, ou seja, a maioria dos falantes ainda não assimilaram estas abreviaturas, mas sim “at” e/ou “att” que também são corretas para uso em texto eletrônicos (e-mails). Alguns manuais de redação recomendam usar o fechamento por extenso “Atenciosamente” por considerarem mais cortês, elegante, respeitoso com o destinatário.

 Meu entendimento, como professor de língua portuguesa, é que podemos dar preferência pelo uso de “at” ou “att” no lugar de “at.te” ou “atte”, pois, ao contrário, o receptor da mensagem eletrônica (e-mail) poderá estranhar as abreviaturas “at.te” ou “atte”, causando-lhe confusão semântica (significado), uma vez que  ele está há muito tempo habituado a receber e ler “at” ou “att” e as interpretará como sendo abreviaturas de “Atenciosamente”.

 A preferência pelo uso de “at” ou “att” garantirá o principal  elemento a ser almejado num texto: a clareza.

 Espero ter contribuído.

 Att
ou
At,

 Ricardo D. Lins Freitas
www.textorevisado.com.br
(61) 8124-6177

segunda-feira, 25 de março de 2013

Aluno estudante




         
O quadro negro abarrotado de riscos, palavras, números. Passos curtos, quase calculados, o professor caminha sereno, gesticulando mãos, explica isto, explica aquilo, apaga quadro negro,  dedos indicador e polegar maculados de giz branco. À frente do mestre, o aluno. Este que vai à escola para exercer seu dever e direito: assistir a aulas, ou seja, ouvir por seguidas horas coisas sobre análise sintática, expressão numérica, divisão celular, planícies, planaltos, tabela periódica, história geral do Brasil e tudo mais. Ser aluno não é ser estudante. Aluno assiste a aulas, estudante estuda.

Lembrem-se dos anos em que íamos à escola e gastávamos a maior parte do tempo dentro de sala, tentando compreender as explicações do professor sobre determinada disciplina? Daí vinha o intervalo onde muito raramente conversávamos sobre a aula dada em sala. O que fazíamos de fato era ir à cantina comprar lanche e jogar conversa fora com os colegas. Nada mais justo. Ouvíamos, assistíamos a vídeos educativos, escrevíamos também em sala de aula. Dentro da escola, éramos alunos, máquinas de passar para o papel aquilo registrado no quadro negro. Mas fora da escola, tínhamos mesmo de ser estudantes, que dizer, estudar em casa, na biblioteca, em silêncio e, principalmente, estudar sozinho. O estudante e o livro. Estudar tudo aquilo que o professor ministrou em sala de aula.

Estudar implica necessariamente escrever. A lápis ou à caneta. Digitar em vez de escrever não é recomendável, pois o estudante não fará prova com teclado do computador às mãos. Temos muitos alunos, às sobras, mas estudantes, arrisco-me a dizer, ainda são poucos. Os alunos em sua maioria saem da escola com suas anotações nos cadernos, e as tarefas de casa habitualmente fazem sem o estudo direcionado como a pesquisa, a consulta a livros, ser curioso, investigador acima de tudo. Ser aluno estudante. Porque o indivíduo vai à escola para entender (condição de aluno) e, depois, sai da escola para aprender (condição de estudante).

O professor Pierluigi Piazzi, autor de livros didáticos como o “Aprendendo Inteligência - Manual de Instruções do Cérebro para Alunos em Geral” e louvável palestrante em diferentes escolas públicas e particulares brasileiras, nos atenta para o fato de que

O ciclo da aprendizagem é circadiano, ou seja, começa, acontece e se
encerra em 24 horas!

Nessas 24 horas temos 3 fases distintas:
Durante as aulas: entender!
Durante a tarefa: aprender!
Durante o sono: fixar!

É verdade que muitos alunos têm dificuldades em assumir a postura de estudante, pois esbarram em obstáculos que o impedem de fazê-lo. Mas aí deve entrar em cena a figura dos pais que poderão despertar nos filhos o gosto pela leitura, pelos livros, pelos estudos, pelo uso da biblioteca.

        Se agirmos assim, estimulando a criança, o adolescente, já desde cedo, a estudar todos os dias depois de assistir a aulas na escola, estaremos formando um estudante, plantando um terreno fecundo de informações para que ele as aproveite hoje, amanhã e sempre. Porquanto educar é tarefa essencialmente de pais, e ensinar é ofício que cabe à escola.
        
     Findo este artigo reforçando que aluno que estuda dia a dia, após ter visto e compreendido as aulas do professor na escola, terá grandes chances de fazer um excelente exame escrito de vestibular e até mesmo do tão almejado concurso público.

segunda-feira, 11 de março de 2013

CRASE





SE VENHO DA, CRASEIO O "A"
SE VENHO DE, CRASE PRA QUÊ?

Vou à Brasília de meus avós (Venho da Brasília de meus avós). Venho da, portanto craseio o "a".

Vou a Brasília (Venho de Brasília). Venho de, portanto crase pra quê?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Padronização de textos oficiais

           Dia desses entrei numa loja de alimentação de grande porte e observei que seus empregados usavam vestimentas idênticas, calça e camisas com as mesmas cores e detalhes, logomarca da empresa no canto superior esquerdo da camisa, e até boné também padronizado. Saí da loja, andei a minha casa, uns 300 metros, e avistei um daqueles empregados da loja usando uniforme. E uma outra pessoa do meu lado, de traços joviais, chamou em voz alta a pessoa uniformizada pelo nome da empresa, como se fosse seu apelido.

           Este episódio atiçou-me a refletir demoradamente sobre a importância da padronização. E padronizar não somente o uniforme de uma empresa, mas também, por exemplos, o de uma equipe de futebol, o uniforme utilizado por uma escola pública ou particular, o desenho dos prédios de um condomínio residencial. Padronizar o tamanho e tipo da fonte das letras das páginas de um romance, de um relatório, de uma monografia. De um ofício.

           Padronizar redações oficiais de uma empresa pública, em conformidade com as orientações do Manual da Presidência da República. Este é o desafio lançado aos administradores contemporâneos, porquanto não se padronizam ofícios, memorandos, cartas, como se padronizam uniformes. O processo de padronização das redações oficiais alcança maior complexidade, por envolver muito mais pessoas, e pessoas com opiniões divergentes. Entretanto, entendo ser essencial uniformizar os nossos textos oficiais, sob o argumento de que a instituição pública, ou mesmo privada, tem de ter características próprias, como o seu logotipo, sua sigla, que poderão ser lidas e decodificadas por um público-leitor que, ao enxergar o texto padronizado, o identificará como sendo daquela determinada entidade. Mais: a padronização dos textos oficiais garante maior clareza, coesão e coerência em seus enunciados. Clareza e coerência no momento em que o Manual nos orienta para descrever o tópico “Assunto:” logo após as informações do destinatário nos padrões-ofícios, quais sejam o ofício propriamente dito, o memorando e o aviso.

          O Manual da Presidência da República nasceu com essa ideia, a de oferecer subsídios para padronizar os expedientes. Trata-se de um documento que não impõe, não normatiza, mas, ao contrário, traz orientações úteis com as quais podemos elaborar nossas redações oficiais voltadas ao padrão culto da língua. Aqui, cabe-me transcrever um fragmento desta publicação (grifos e negritos meus):

          Redação Oficial:



          Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.

          A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)". Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda administração pública, claro está que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.

          Sei que haverá sempre resistências de parte de leitores e redatores quanto a seguirem à risca a padronização dos textos, o que vejo como reação natural. É preciso conscientizar-se, no entanto, de que a imposição, a todo custo, do estilo de escrever de um autor sobre o estilo de escrever de forma impessoal, clara, concisa, formal e uniforme, poderá, numa eventualidade, obscurecer a clareza de um dado texto.

          Uma hora e outra, meus amigos de dentro e fora do trabalho, meus familiares, me questionam a respeito do assunto. Minha sugestão, na condição de professor de língua portuguesa, é que busquem informações do Manual da Presidência da República e, na medida do possível, sigam as orientações deste documento que, importa dizer, embora necessite, a meu ver, de uma urgente atualização e consequente reedição, surge muito mais para somar do que atravancar o processo de produção de textos oficiais.

          Um forte abraço e obrigado por sua atenção.

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Referência:



MENDES, Gilmar Ferreira at al.Manual de redação da Presidência da República.

2. ed. rev. e atual. – Brasília: Presidência da República: 2002. 140 p.

Disponível também em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm